Por que assistir: Janela da Alma (2001)?

Ele foi sucesso de crítica, com 7 prêmios em festivais e eleito um dos 100 melhores documentários brasileiros de todos os tempos pela Abraccine. Mas ainda é invisível para o grande público, talvez por ter sido lançado na época em que não havia streamings ou redes turbinadas por algoritmos e publicidade.

 

Duração: 1h10 | Direção: João Jardim e Walter Carvalho.

Minha intenção ao selecioná-lo nesta curadoria é um chamado urgente para a temática dessa produção que alimenta o pensamento e a cognição humanos:

Janela da Alma explora a subjetividade da visão e como diferentes graus de deficiência visual (da miopia à cegueira total) moldam a percepção do mundo e a construção da identidade. O título remete à frase clássica de Leonardo da Vinci, mas subverte a ideia de que o olho é apenas um receptor passivo.

Participantes Relevantes

O filme reúne 19 depoimentos, incluindo personalidades como:

  • José Saramago: Discorre sobre a “cegueira” de quem vê apenas a superfície.
  • Oliver Sacks: Analisa a neurologia da percepção e o espaço visual.
  • Wim Wenders: Aborda a relação entre a visão, a fotografia e o cinema.
  • Marieta Severo: Relata sua experiência com a miopia severa.
  • Hermeto Pascoal: Foca na audição como extensão da visão.

Temas Principais

  1. A Ótica Física vs. A Ótica Mental: A discussão de que o que enxergamos é uma interpretação cerebral, não apenas um reflexo da luz na retina.
  2. O Estigma da Deficiência: Relatos sobre a infância, o uso de óculos (“fundo de garrafa”) e como a limitação física gera uma sensibilidade distinta.
  3. A Estética do Desfocado: O filme utiliza recursos visuais (desfoque, granulação) para que o espectador experimente a perspectiva dos entrevistados.
  4. A Memória Visual: Como pessoas que perderam a visão mantêm ou reconstroem imagens mentalmente.

Estrutura Narrativa

O documentário não possui um narrador formal. A narrativa é construída estritamente pela montagem dos depoimentos, intercalada com imagens que ilustram as patologias visuais discutidas (miopia, astigmatismo, catarata, cegueira). A trilha sonora de José Miguel Wisnik reforça o tom introspectivo e filosófico da obra.

Boa experiência sensorial!

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