O termo MVP (Minimum Viable Product) é amplamente citado no mundo da inovação e do desenvolvimento de produtos. No entanto, seu uso frequente nem sempre vem acompanhado de uma compreensão clara do que ele realmente significa — e, principalmente, do que ele não significa.
O artigo “Making Sense of MVP”, de Henrik Kniberg, traz uma visão moderna e prática sobre o conceito, desmistificando o termo e propondo maneiras mais eficazes de construir produtos de forma ágil. A seguir, apresento um resumo aprofundado e aplicável ao contexto de negócios, times de produto, consultorias e empresas que desejam inovar com menos risco e mais aprendizado.

O erro comum: confundir MVP com “versão mínima e mal-acabada”
Muitas equipes entendem MVP como “a versão mínima possível do produto final”. O problema é que isso leva a entregas fracas, incompletas e que não geram valor real para ninguém.
O resultado:
- clientes frustrados,
- pouca adesão,
-
e nenhuma aprendizagem concreta — que é justamente o propósito do MVP.
Kniberg reforça que um MVP não é um rascunho mal feito, mas sim a menor versão que permite aprender alguma coisa útil sobre o produto e sobre os usuários.
A metáfora do skate: entregas que fazem sentido desde o início
Para explicar seu ponto, Kniberg utiliza uma metáfora simples: em vez de tentar construir um carro entregando peças isoladas (rodas, portas, chassi), o time deveria entregar versões completas e usáveis, mesmo que simples — como:
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skate
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bicicleta
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moto
-
carro
Cada versão:
✔ funciona de verdade
✔ entrega algum valor
✔ permite aprendizado real
✔ orienta a próxima evolução
Esse ciclo de valor → feedback → melhoria é o coração do desenvolvimento ágil.
Por que aprender cedo reduz risco
Entregar tudo de uma vez é a forma mais arriscada de inovar.
Quando você lança somente ao final:
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você aprende tarde demais,
-
corrige tarde demais,
-
e descobre problemas tarde demais.
O MVP, ao contrário, existe para diminuir riscos através de experimentação contínua. Ele permite:
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validar hipóteses,
-
testar suposições,
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entender necessidades reais,
-
confirmar se as pessoas realmente se importam com o problema.
E tudo isso antes de investir pesado no produto final.
Repensando o termo “MVP”: conceitos mais claros sugeridos por Kniberg
O autor propõe substituir “MVP” por termos mais objetivos, que evitam interpretações equivocadas:
Earliest Testable Product
A menor versão possível que já permite testar uma hipótese específica.
Earliest Usable Product
A primeira versão que realmente resolve algo para os early adopters.
Earliest Lovable Product
Quando o produto começa a encantar e gerar amor genuíno pelo que entrega.
Esses termos criam alinhamento entre equipes, stakeholders e usuários.
Exemplos práticos citados por Kniberg
Algas empresas e projetos de destaque usaram esse pensamento:
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Spotify: começou com um protótipo interno extremamente simples para testar apenas se o streaming era rápido o suficiente.
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Minecraft: lançou uma versão primitiva desde cedo e evoluiu guiado pela comunidade.
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Polícia sueca: adotou entregas pequenas testadas em campo antes de escalar o sistema.
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Lego: usa ciclos rápidos de prototipagem com usuários reais.
O ponto comum é sempre o mesmo: aprender rápido para evoluir com precisão.
Conclusão: o verdadeiro valor do MVP
A mensagem central é simples e poderosa:
MVP não é produto mínimo. É aprendizado máximo.
Começar pequeno não significa entregar menos valor — significa entregar valor mais cedo, para tomar decisões mais inteligentes.
Para qualquer empresa que deseje inovar de forma sustentável, essa é uma mudança de mentalidade essencial:
não espere pelo carro perfeito — entregue o skate que permite começar a aprender agora.
Referência original
Resumo baseado no artigo “Making Sense of MVP”, de Henrik Kniberg, publicado no blog da Crisp (2016).