A Toyota, tradicionalmente conhecida por sua abordagem rigorosa de produção, embarcou em uma transformação surpreendente ao migrar do modelo Waterfall para práticas Lean no desenvolvimento de software. Esse processo foi documentado por Henrik Kniberg em seu artigo “Toyota’s journey from Waterfall to Lean software development”, publicado no blog da Crisp. Crisp’s Blog
Por que a mudança da Toyota é importante
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A Toyota usava um modelo Waterfall convencional para desenvolvimento de software – algo que muitos associam mais a projetos mecânicos ou físicos do que a software. Crisp’s Blog+1
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Apesar disso, a empresa decidiu começar a explorar métodos Lean, mostrando que até organizações muito tradicionais reconhecem o valor da agilidade e da melhoria contínua. Crisp’s Blog
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Kniberg participou de um “Lean Study Tour” na Toyota, o que permitiu observar de perto como a fábrica e as equipes de software trabalham, refletindo sobre os pontos fortes e os desafios dessa transição. Crisp’s Blog
Lições principais da transição
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Cultura de reflexão (Hansei)
A Toyota tem prática de autoavaliação diária (hansei), o que significa refletir sobre o que funcionou ou não naquele dia. Esse hábito fortalece a melhoria contínua. Crisp’s Blog -
Iteração curta e feedback constante
Mesmo saindo de uma abordagem Waterfall, as equipes começaram a adotar ciclos mais rápidos de feedback, possibilitando ajustes mais frequentes e redução de desperdícios. -
Gerenciamento de dependências complexas
No ambiente automotivo, há uma enorme complexidade: hardware, fornecedores, software embarcado, testes rígidos. A Toyota mostrou que é possível aplicar Lean mesmo em sistemas altamente interdependentes — desde que haja maturidade para gerenciar essas dependências de forma iterativa. Crisp’s Blog -
Tomada de decisão criteriosa
A transição para Lean não significa descartar todo planejamento: a Toyota combina previsão estratégica com flexibilidade operativa, tomando decisões com base em dados reais, não apenas suposições. -
Adaptação do método ao contexto
Kniberg ressalta que não existe uma fórmula universal: cada parte da cadeia (design, manufatura, software) precisa de práticas Lean ajustadas à sua realidade. Crisp’s Blog -
Importância do aprendizado contínuo
A jornada Lean da Toyota é representada como um processo de aprendizado, não como uma meta fixa. Para Kniberg, essa mentalidade é fundamental para evoluir.
Por que esse caso inspira outras empresas
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Mostra que empresas de produtos físicos (como automóveis) também podem se beneficiar muito de métodos ágeis e Lean, não apenas times de software.
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Demonstra que a cultura organizacional (como a reflexão constante) é tão importante quanto as práticas técnicas.
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Prova que Lean não é sinônimo de improviso total — planejamento, disciplina e estratégia ainda são essenciais, só que orientados para o fluxo, a qualidade e a redução de desperdícios.
Conclusão
A trajetória da Toyota, conforme descrita por Henrik Kniberg, é um poderoso exemplo de como empresas estabelecidas e com processos tradicionais podem evoluir para práticas mais enxutas, ágeis e orientadas ao aprendizado. Essa transição exige coragem, reflexão diária e adaptabilidade, mas os ganhos — em eficiência, qualidade e inovação — são enormes.
Referência original:
Henrik Kniberg, “Toyota’s journey from Waterfall to Lean software development”, Crisp’s Blog, 16 de março de 2010.
